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TEATROS NEGROS EM CENA

Em sua quarta edição, a Mostra Benjamin de Oliveira será palco de apresentações de teatro, dança e performance protagonizados por atores e atrizes negros

De 1º a 12 de junho, o Tambor Mineiro recebe a Mostra Benjamin de Oliveira, edição IV. Idealizada pela Cia. Burlantins, a mostra tem a proposta de ser um espaço de difusão e de valorização do trabalho de atores e atrizes negros. Performances, espetáculos de teatro e dança, intervenções circenses, lançamentos de publicações e exibição de um documentário fazem parte da programação. As apresentações serão a preços populares (R$10 inteira / R$5 meia-entrada).

A quarta edição da Mostra Benjamin de Oliveira recebe dois espetáculos em temporada de estreia: Mercedes, do Grupo Emú (Rio de Janeiro/RJ), e sarau Atemporal ou A mulher e as águas do tempo, peça do A-GRUPA: Teatro e Música (Belo Horizonte/MG). Além dos dois trabalhos, Revolver, do Coletivo Negro (São Paulo/SP); O grito do outro – o grito meu!, da Cia. Espaço Preto (Belo Horizonte/MG); A Lenda de Ananse – Um herói com rosto africano, do Teatro Negro e Atitude (Belo Horizonte/MG); e Isto Não É Uma Mulata, de Mônica Santana e Gameleira Artes Integradas (Salvador-BA) foram selecionados para compor a programação a partir de 109 inscrições de obras produzidas por grupos, coletivos e artistas de 23 cidades localizadas em 14 estados brasileiros. A curadoria foi formada por Alexandre de Sena, Aline Vila Real e Marcos Alexandre.

Completando a programação, estão o espetáculo de dança Projeto Black Sou, com Rui Moreira e convidados; Disputa Nervosa – Batalha de Passinhos, ação promovida pelo centro cultural Lá da Favelinha; Contos de Mitologia: Histórias para encantar (com apresentações gratuitas para estudantes da rede pública de ensino); e as cenas curtas O que não vaza é pele, Não conte comigo para proliferar mentiras e ROLEZINHO – nome provisório, com Alexandre de Sena e artistas convidados.

Ao lado das artes cênicas, a Mostra Benjamin de Oliveira ainda vai apresentar o documentário Minha Avó Era Palhaço (SP), que narra a desconhecida trajetória do palhaço Xamego, personagem criada pela atriz Maria Eliza Alves dos Reis, mulher negra que nas décadas de 1940 a 60, vestia-se de homem para entrar no picadeiro; e o lançamento da quarta edição da Revista Marimbondo, que lança um olhar íntimo e afetuoso sobre a história da Guarda de Moçambique Nossa Senhora do Rosário e Sagrado Coração de Jesus – Irmandade Os Carolinos, a terceira mais antiga da cidade ainda em atividade, fundada em 1917.

Alinhada à proposta formativa da Mostra, a programação conta também com a oficina gratuita “Personagens interseccionais na crônica de Cidinha da Silva”, ministrada pela própria autora, que é prosadora e dramaturga e que também lançará na mostra seu livro Sobre-viventes!, atividade que contará com um conversa do público com ela e com o professor e doutor em Letras pela Faculdade de Letras da UFMG, Marcos Antônio Alexandre.

A quarta edição da Mostra Benjamin de Oliveira é realizada pela Cia Burlantins, tem patrocínio da Oi, produção da Napele Produções Artísticas, apoio do Oi Futuro e incentivo da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.

>> Pela cultura sem racismo e por mais atores negros e atrizes negras em cena

Neste ano, artistas negros norte-americanos contestaram a premiação do Oscar pela ausência de indicados negros, colocando a questão da representatividade na pauta internacional. No Brasil e em Belo Horizonte, a questão da representatividade também vem incitando pesquisas, questionamentos e ações por parte dos movimentos negros.

De acordo com o IBGE, em pesquisa realizada em 2014, os negros e as negras correspondem a 54% da população brasileira, ou seja, mais da metade. Ainda assim, essa população é sub-representada nas telenovelas, na publicidade, no cinema nacional, nos festivais de Artes Cênicas e em diversas outras áreas. Estudos do Gemma (Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa do IESP-UERJ) apontam que apenas 8,6% das atrizes e atores das telenovelas brasileiras são negros e negras, e que às atrizes negras e aos atores negros, o cinema nacional delega somente 20% de seus papeis de destaque, sendo 4% para as mulheres negras, um grupo ainda mais sub-representado. Uma sondagem feita pela própria equipe da Mostra Benjamin de Oliveira na programação de sete edições de seis grandes festivais de Artes Cênicas do país, constatou que dos 235 espetáculos apresentados, 8 tinham dramaturgias dos teatros negros, ou seja, menos de 1%.

Esse contexto amplifica a importância de ainda existirem espaços como a Mostra Benjamin de Oliveira, que abriga as narrativas, os discursos e os corpos dos atores negros e das atrizes negras, além de trazer espetáculos e ações onde a questão da negritude transversalizada pela questão de gênero.

Programação completa aqui.

.: SERVIÇO

Mostra Benjamin de Oliveira, edição IV, de 1 a 12 de junho

Tambor Mineiro (R. Ituiutaba, 339 – Prado)

Entrada: R$10,00 (inteira) / R$5,00 (meia-entrada)

Na bilheteria, a partir de uma hora antes dos espetáculos

[Oficinas, lançamentos de publicações e atividades para escolas públicas serão gratuitas]