Edição III

Em sua terceiro edição, a Mostra Benjamin de Oliveira ocupou o Teatro Oi Futuro Klauss Vianna de 13 a 24 de maio de 2015. Pela primeira vez, a Mostra abriu edital nacional para seleção de trabalhos e recebeu 153 inscrições. Uma curadoria formada por Alexandre de Sena, Grace Passô e Mauricio Tizumba selecionou os trabalhos que se integrariam aos convidados.

fotos // Letícia Souza

11255495_1442320106064949_2607625535108846235_nCo ÊS / Rui Moreira [Dança / Belo Horizonte]
13/05 e 14/05, quarta-feira e quinta-feira, às 20h // classificação livre // Teatro Oi Futuro Klauss Vianna

A trilogia ÊS QUIS / Q ́EU ISSE / CO ÊS é inspirada em uma pesquisa de natureza histórica e estética sobre o acervo de patrimônios imateriais da cultura afro-descendente em Minas Gerais, iniciada em 2005 com o financiamento das Bolsas Vitae de Artes. Encerrando o ciclo da trilogia e, ao mesmo tempo, inaugurando outra etapa criativa, nasce “Co ÊS” – espetáculo solo de Rui Moreira, sob a orientação do coreógrafo internacionalmente reconhecido Patrick Acogny. No processo desta criação, Rui explora um contexto sociocultural africano in loco. O artista colocou-se à disposição do pensamento Acogny sobre Danças Negras Contemporâneas e participou de um processo de imersão no centro de formação profissional em Danças Negras Tradicionais e Contemporâneas – a École des Sables, situada na África, na costa do Senegal, na cidade de Toubab Dialaw. Imbuído de sua pesquisa gestual sobre uma negritude americana, Rui vai de encontro à outras relações com o gesto e o movimento.

22199_1444022759228017_6234847266757164831_n:: {ENTRE} / Coletivo Negro [Teatro / São Paulo]
15/05, sexta-feira, às 20h // classificação 16 anos // 90 minutos // Teatro Oi Futuro Klauss Vianna

Um conjunto habitacional e quatro vidas de parede-e-meia: uma mulher grávida e abandonada; um pai que deseja retornar ao seio familiar; um filho que busca encontrar seu caminho e identidade; e um médico que retorna ao local de nascimento e se reencontra com seu passado. No entrelaçamento dessas quatro vidas aparentemente comuns, revela-se, mesmo diante das adversidades, um sentido de preservação e celebração de suas histórias, bem como a necessidade do encontro do afeto.

11219374_1444024065894553_5782659577750507123_n:: Sapiência e TransBORDAS / Laia Cia. de Danças Urbanas [Dança / Belo Horizonte]
16/05, sábado, às 20h // Classificação livre // 45 minutos // Teatro Oi Futuro Klauss Vianna

O espetáculo “Sapiência” ancora-se na evolução das espécies, com ênfase na ancestralidade dos macacos ao homo sapiens moderno como conhecemos hoje. O trabalho aborda, na linguagem das danças urbanas, a “e-volução” versus o retrocesso humano. O espetáculo “TransBORDAS” parte de observações acerca do comportamento humano no cotidiano dos aglomerados e favelas de Belo Horizonte, mas realiza uma interpretação especialmente sobre a forma como esses labirintos de barracos, becos e lajes imprimem um jogo próprio aos corpos que ali habitam e circulam.

11351183_1447500468880246_7122444146482243811_n:: Roda de conversa com o Coletivo Negro
16/05, sábado, às 14h // Classificação livre // Associação Cultural Tambor Mineiro

Interessada em promover reflexões, a mostra recebe o Coletivo Negro, grupo paulista de artistas negros dedicado à pesquisa cênico-poético-racial (que também se apresenta na mostra) para uma conversa intermediada por Amanda Dias Leite com colaboração de Alexandre de Sena, em uma ação do PLATEIA – Rede de Formação Artística. Formada por artistas, professores e produtores, a rede busca transformar a relação dos públicos com a manifestação artística, alimentar a formação de plateia e aprofundar as relações entre educação e cultura.

11268251_1444028129227480_3921485311261304007_n:: Madame Satã / Grupo dos Dez [Teatro / Belo Horizonte]
20/05, quarta-feira, às 20h // Classificação 16 anos // 80 minutos // Teatro Oi Futuro Klauss Vianna

Um espetáculo poético e político sobre a luta de invisíveis. Madame Satã é o terceiro espetáculo do Grupo dos Dez (e o segundo dirigido por João das Neves), que se dedica à pesquisa de linguagem sobre o teatro musical e suas possibilidades. Em Madame Satã, o grupo se vale da biografia de um dos mais peculiares personagens brasileiros para dialogar com questões que permeiam a critica contra a homofobia e o racismo. Com trilha sonora inédita, o espetáculo é entrecortado por textos ora poéticos, ora combativos, e traz à tona não apenas a biografia de Satã, mas dá visibilidade às pessoas à margem da sociedade que não se enquadrarem na heteronormatividade vigente.

11377136_1447502288880064_6647209850441792593_n:: Roda de conversa sobre o livro “Africanidades e relações raciais: insumo para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil”
21/05, quinta-feira, às 19h30 // Classificação livre // Teatro Oi Futuro Klauss Vianna

A obra apresenta um diagnóstico da realidade sociocultural do setor do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (LLLB), pelas dimensões de raça e africanidades, a partir do pensamento de 48 mulheres e homens, predominantemente negros e jovens, considerando os desafios da encruzilhada do combate ao racismo e da formação do leitor-literário. Cidinha da Silva (organizadora do livro), as autoras Bel Santos Mayer, Josemeire Alves, Márcia Maria Cruz, Mariana Assis e os autores Adélcio Cruz e Mauro Luís Silva farão uma roda de conversa sobre a publicação.

11265224_1447501928880100_4565685424487353501_n:: Lançamento do livro “Percursos do Sagrado: Irmandades do Rosário de Belo Horizonte e entorno
22/05, sexta-feira, às 20h // Classificação livre // Teatro Oi Futuro Klauss Vianna

Fruto de pesquisa empreendida ao longo de mais de um ano, o livro traz em sua primeira parte Irmandades e guardas da cidade de Belo Horizonte e cidades do seu entorno catalogadas, com informações sobre localização, nomes de integrantes, data de fundação e das principais festas. Na segunda parte, um glossário poético apresenta elementos que constituem o imaginário dos Reinados na voz dos próprios congadeiros. O livro constitui, pois, importante documento de registro e apresenta percursos geográficos e simbólicos traçados por uma das mais representativas manifestações da cultura afro-brasileira.

1898252_1447502892213337_345914261777584708_n:: Maravalhas / Benjamin Abras [Dança | Performance / Contagem]
23/05, sábado, às 19h // Classificação livre // Teatro Oi Futuro Klauss Vianna

Onze figuras abstraem o espaço público com seus corpos reverberando sons que os modificam, fazendo das linhas horizontais e verticais da arquitetura o palco para enredos que desconstroem as relações entre a realidade cotidiana dos transeuntes e a arquitetura. Realizada pela primeira vez em 2014 no Senegal, com a direção de Benjamin Abras e a participação de dançarinos do bairro Ouakam (localizado na periferia da cidade de Dakar), a nova performance será construída durante a Mostra Benjamin de Oliveira a partir de técnicas de improvisação do teatro e da dança afro-contemporânea, em oficina realizada entre os dias 18 e 22 de maio.

11329920_1447503245546635_1847381604175242711_n:: Feito de Som e Fúria / Breaking no Asfalto [Dança / Belo Horionte]
23/05, sábado, às 20h // Classificação livre // Teatro Oi Futuro Klauss Vianna

Feito de Som e Fúria é um eterno embate na vida dos bboys – quando competem, quando viajam, quando brigam, quando choram e quando amam. Levam Som mesmo quando não existe música e têm fúria mesmo quando não estam brigando. Sua dança é de fúria e seu som é movido pela paixão. No cenário urbano aonde nasceram, encontraram no som e na fúria uma vida divida entre cair e levantar, lutar ou dançar, morrer ou viver livre para sempre amar.

11264836_1447503548879938_5229403389148687183_n:: Galanga Chico Rei / Maurício Tizumba [música / Belo Horizonte]
24/05, domingo, às 19h // Classificação Livre // 60 minutos // Teatro Oi Futuro Klauss Vianna

Maurício Tizumba, um dos principais artistas da música mineira, lança o álbum Galanga Chico Rei, inspirado em espetáculo homônimo. Produzido pelo multiinstrumentista, cantor e diretor musical Sérgio Santos e com músicas de Paulo César Pinheiro, um dos mais consagrados compositores brasileiros, o disco é uma homenagem ao rei africano escravizado no Brasil e convertido em herói ao comprar a própria liberdade, adquirir riqueza e libertar centenas de outros negros. A narrativa sonora das 11 faixas passa pela herança africana brasileira, sobretudo pela referência musical do congado. Contar a história de Galanga, a história invisibilizada de um herói negro vencedor, é também um ato de resistência política e cultural.