Edição II

Em sua segunda edição, a Mostra Benjamin de Oliveira ocupou, de será 16 a 27 de abril de 2014, o Teatro Oi Futuro Klauss Vianna. Pela primeira vez, foram selecionados trabalhos de Minas Gerais para participarem ao lado de espetáculos convidados. A curadoria foi formada por Alexandre de Sena e Leandro Belilo.

Cultura Urbana – se essa rua fosse nossa (Coletivo Breaking no Asfalto/Belo Horizonte)
Dia 16/04, quarta-feira, 19h
O coletivo irá realizar uma intervenção urbana em frente ao Oi Futuro. Por meio do Rap, Djing, Graffiti, e focando, sobretudo, na prática do break e nos valores do hip hop, o Coletivo chama a atenção para a construção dialógica da arte de rua, que parte do espaço, dos sujeitos e da interação desses elementos com a arte em si.

Exibição “Os Carolinos” (filme)
Dia 16/04, quarta-feira, 20h
O filme acompanha a Irmandade Os Carolinos em uma viagem a Aparecida do Norte, São Paulo, para a festa do santo negro cozinheiro São Benedito, que reúne diversas guardas de congado do país. Os Carolinos é uma das mais tradicionais irmandades de congado de Belo Horizonte, sendo sua fundação datada de 1917.

In Conserto (Teatro Anônimo / Rio de Janeiro)
Dia 16/04, quarta-feira, 21h
Um trio de palhaços se prepara para dar um concerto público, mas muitas trapalhadas acontecem até que consigam executar suas peças. A estrutura do espetáculo mora no jogo clássico dos velhos palhaços, apreendida em uma das mais tradicionais famílias ligadas à arte da palhaçaria – a Colombaioni. O Teatro de Anônimo teve a possibilidade de aprender com o mais ilustre representante da quinta geração, o mestre Nani Colombaioni e executar esta partitura com excelência é um dos maiores desafios dessa pesquisa do grupo: reproduzir ou recriar o universo já experimentado por nobres palhaços de todo o mundo, em todos os tempos.

Kàdárà (Anderson Feliciano, Denilson Tourinho, Meibe Rodrigues e Reinaldo Café/Belo Horizonte)
Dia 17/04, quinta-feira, 21h
A montagem constitui um “evento paisagem” a partir de uma dramaturgia cênica pautada em fragmentos autobiográficos de seus integrantes. Aliado a esses fragmentos, a proposta explora todas as dimensões do espaço, contando para isso com a participação de um DJ, criando uma espécie de teia que capturará o espectador pela subjetividade, pelo afeto. Um ardil e um convite, uma construção dinâmica, viva e, portanto frágil de um lugar que será provisoriamente habitado e o mais importante co-habitado. O trabalho intitulado Kàdárà (destino em Ioruba) é a oportunidade que o coletivo de artistas negros encontrou para, a partir de suas pesquisas cênicas, com outros artistas interessados no assunto, discutirem a relevância de questões relacionadas a temáticas raciais e ainda refletirem, discutirem e analisarem sobre a possibilidade da construção de outras estéticas negras.

A morte de Antônio Preto (Sérgio Pererê e Eneida Baraúna/ Belo Horizonte)
Dia 18/04, sexta-feira, 21h
O espetáculo é um romance em forma de cordel que une música, poesia e contação de história com fortes referências em manifestações da cultura popular mineira, como a marujada e o catopê. Músicas já conhecidas de Sérgio Pererê se unem a cantigas populares.

Clara Negra (Cia Burlantins / Belo Horizonte)
Dia 19/04, sábado, 21h
Homenagem a Clara Nunes, artista eclética, com várias facetas musicais. As músicas são intercaladas com frases célebres da cantora e informações sobre sua vida e trajetória artística, como a mudança do interior de Minas para Belo Horizonte e da capital mineira para o Rio de Janeiro, até o reconhecimento e sucesso em todo o país.

Definitivo é o fim (Rui Moreira Cia de Danças / Belo Horizonte)
Dia 20/04, domingo, 19h
Partindo de princípios reflexivos sobre a impermanência do tempo, Rui Moreira iniciou uma delicada investigação sobre o corpo sensível. As percepções de variados momentos desta investigação foram organizadas e se transformaram em performance cênica. Em ‘Definitivo é o fim’ alguém vem do nada e vai em direção a lugar algum, e a variação de humores, sons e ambiências deste trajeto provocam encontros e desencontros que acabam se situando no imponderável “acaso”. Este alguém, que não se sabe quem, é fruto das memórias e vivências diversificadas de um andarilho errante imaginário.

Memórias póstumas de um Neguinho (ZAP 18 – Zona de Arte da Periferia/Belo Horizonte)
Dia 23/04, quarta-feira, 21h
“Nasci neguinho, cresci neguinho. Hoje não sou mais.” O solo conta, a partir de histórias pessoais e memórias coletivas, a trajetória de um homem negro em seu processo de auto aceitação. O espetáculo/performance/sarau é dividido em três movimentos distintos, que acontecem em sequência que se entrelaçam.

Meráki (Cia Fusion de Danças Urbanas / Belo Horizonte)
Dia 24/04, quinta-feira, 21h
Em busca por novas possibilidades de trabalho na dança e em outras áreas como música e fotografia, o espetáculo da Cia. Fusion trata do que significa ser um ser humano misturado, e se utiliza de algumas das principais vertentes das Danças Urbanas, como o House Dance (mais especificamente o Afro-House), o Hip Hop Dance, o Breaking (Rocking) e o Waacking, além de revelar uma forte influência de Danças Africanas. “Meráki”, palavra vinda do grego que significa “colocar parte de si em algo que se está a fazer”, não deixa de prestar uma homenagem às origens de mãe África, representando uma forte expressão de nossa negritude.

Oratório – A Saga de Dom Quixote e Sancho Pança (Belo Horizonte)
Dia 25/04, sexta, 21h
Traz o icônico cavaleiro andante e seu fiel escudeiro em um espetáculo que une elementos clássicos da obra de Miguel de Cervantes à cultura brasileira. O espetáculo tem direção de Paula Manata e direção musical de Maurício Tizumba, e conta com um elenco formado por atores e músicos negros.

Roberto Carlos – Resgatando e Contando Nossas Histórias Folclóricas (Belo Horizonte)
25/04, sexta-feira, 16h – fechados para alunos de escolas públicas
26/04, sábado, 16h – aberto ao público em geral
O baú de histórias do pedagogo Roberto Carlos está repleto de personagens que vivem em florestas mágicas do imaginário infantil, como mula-sem-cabeça, duendes e lobisomem. A proposta desta apresentação é um show que promete agradar “crianças” de 8 a 80 anos. A ideia é levar a todos histórias do folclore brasileiro que resgatam lendas da memória cultural do país.

Pele (Clanm – Cia. Laboratório de Arte Negra em Movimento / RJ)
Dia 26/04, sábado, 21h
A pesquisa Pele objetiva refletir sobre as marcas na pele e seu papel simbólico na mediação do indivíduo com o meio social em que está inserido. Essas intervenções intencionais ou acidentais situadas na interface do interior com o exterior humano são entendidas aqui como um conjunto de códigos que viabilizam ou impedem o acesso do indivíduo a determinados grupos sociais ou situações culturais. É esta a matéria prima para a composição coreográfica, em especial no que tange a emergência da sociedade pós-moderna na sua relação da pele-vitrine, da beleza ideal, do consumo e do sexo.

Eu Mulher (Gaya Dandara / Belo Horizonte)
Dia 27/04, domingo, 19h
O solo foi criado pela bailarina Gaya Dandara (Belo Horizonte/MG), em colaboração com o projeto “PULSE” AT THE “INTERNATIONALE TANZMESSE NRW” do artista alemão Peter Krauss. A partir desde projeto e, confrontada com diversas questões que atravessam o corpo feminino, quando este se depara em espaços públicos ou privados, Gaya estabelece uma dramaturgia que tem como fontes inspiradoras a forma como o seu corpo “culturalmente construído” se move, poemas da escritora Conceição Evaristo e textos de autoria própria. O trabalho reflete sobre a necessidade de fazer imergir, através de uma linguagem sutil e poética, vivências comuns a mulheres de diversas partes do mundo. O solo conta com a participação do músico Antônio Beirão (contra baixo acústico), e transita entre terrenos da iluminação e da projeção de vídeos, com os quais a bailarina estabelece sua trama.

Boi da Manta (Irmandade dos Atores de Pandega // Lagoa Santa-MG)
Dia 27/04, domingo, 19h30
Uma brincadeira em forma de cortejo. A dramaturgia do boi da manta evoca elementos, movimentos e performances de manifestações folclóricas, da capoeira angola e da dança afro. Os atores propõem uma ação itinerante pelos territórios ocupados e experienciados, fazendo caminhar e girar o boi, “amarrando” as pessoas e o contexto por onde passa o cortejo.